MEI ou LTDA: qual escolher para abrir sua empresa?
Atualizado em agosto de 2026
A regra de bolso é simples: se você pode ser MEI, comece como MEI — é gratuito para abrir, custa menos de R$ 90 por mês e dispensa contador. A questão é que nem todo mundo pode: há limite de faturamento, lista de atividades e a proibição de ter sócio. Veja o caminho de decisão:
Comparativo lado a lado (2026)
| MEI | SLU | LTDA | |
|---|---|---|---|
| Faturamento máximo | R$ 81 mil/ano | R$ 4,8 mi/ano (Simples) | R$ 4,8 mi/ano (Simples) |
| Custo de abertura | Grátis | R$ 0 a R$ 1.500 | R$ 0 a R$ 1.500 |
| Custo fixo mensal | R$ 82–87 (DAS) | Contador: R$ 200–600 | Contador: R$ 200–600 |
| Imposto sobre vendas | Incluído no DAS | A partir de 4–6% | A partir de 4–6% |
| Sócios | Não pode | 1 (você) | 2 ou mais |
| Funcionários | No máximo 1 | Sem limite | Sem limite |
| Contador obrigatório | Não | Na prática, sim | Na prática, sim |
| Profissão regulamentada | Não pode | Pode | Pode |
| Protege patrimônio pessoal | Parcialmente | Sim | Sim |
Três casos reais
Manicure faturando R$ 3.000/mês → MEI
Atividade na lista, faturamento bem abaixo do limite, trabalha sozinha. Abre grátis no gov.br, paga R$ 86,05/mês e já conta tempo para aposentadoria. Nenhum motivo para complicar.
Desenvolvedor faturando R$ 12.000/mês → SLU
Desenvolvimento de software nem está na lista do MEI — e R$ 144 mil/ano estouraria o teto de qualquer forma. Abre uma SLU no Simples, usa o Fator R com pró-labore de 28% da receita e paga ~6% de imposto + contador online. Patrimônio pessoal protegido e nota fiscal para clientes PJ. Veja o guia completo do dev PJ, com CNAEs e cenários calculados.
Dois amigos abrindo uma hamburgueria → LTDA
Com sócio, MEI está descartado. LTDA no Simples (Anexo I/III), capital social dividido em quotas conforme o investimento de cada um, e regras de pró-labore e divisão de lucros definidas no contrato social desde o início — a maior causa de briga entre sócios é não combinar isso antes.
O caminho natural: começar MEI e crescer
MEI não é prisão: quando o faturamento se aproxima do teto, faz-se o desenquadramento e a empresa vira microempresa (ME) com o mesmo CNPJ — histórico bancário e de clientes preservado. O ideal é fazer essa migração planejada com um contador antes de estourar o limite, e não forçada depois, quando o recálculo de impostos pode vir com multa.
Perguntas frequentes
Qual o limite de faturamento do MEI em 2026?
R$ 81.000 por ano (média de R$ 6.750 por mês). Quem ultrapassa em até 20% (R$ 97.200) paga a diferença e é desenquadrado em janeiro seguinte; acima de 20%, o desenquadramento retroage e os impostos são recalculados como microempresa.
Quanto custa ser MEI por mês?
Em 2026, a guia DAS-MEI custa R$ 82,05 (comércio/indústria), R$ 86,05 (serviços) ou R$ 87,05 (comércio + serviços). Ela já inclui o INSS do empreendedor e o ICMS ou ISS.
Toda atividade pode ser MEI?
Não. A lista oficial tem cerca de 450 ocupações. Profissões regulamentadas como médico, advogado, engenheiro, contador, psicólogo e dentista não podem ser MEI — para elas, o caminho é SLU ou LTDA no Simples Nacional.
MEI pode ter funcionário?
Apenas um, recebendo o piso da categoria ou o salário mínimo. Precisando de dois ou mais funcionários, é preciso migrar para microempresa (ME).
MEI pode ter sócio?
Não. O MEI é individual por definição. Para empreender com outra pessoa, o formato é a LTDA. Quem já é sócio de outra empresa também não pode ser MEI.
Como funciona a migração de MEI para ME?
É o desenquadramento: comunica-se no portal do Simples Nacional, e a empresa passa a ser microempresa tributada pelas tabelas normais do Simples. Nesse momento, ter um contador vira necessidade prática — as obrigações mensais deixam de ser as simplificadas do MEI.
Continue lendo:
Importante: este comparativo usa os limites e valores vigentes em 2026. Cada negócio tem particularidades (atividade, município, projeção de receita) — valide a escolha do formato com um contador. Este material é educativo.